Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

Sobre o "Orgasmic Birth"

A Ana deixou-me o link para ler e reflectir. Parece que ela acha que ando "a reflectir demais" sobre o parto e provavelmente tem razão pois, mesmo sendo um cliché, o que for, será.

 

Li, pensei e não posso concordar.

 

Não me parece insultuosa a insinuação de que um parto possa ter uma dimensão de prazer. Certamente que a tem. O que julgo é que atribuir uma conotação sexual a esse prazer não é algo que se possa generalizar ao ponto de presumir que qualquer mulher pode sentir esse mesmo prazer físico, tão semelhante ao prazer sexual, chegando mesmo ao ponto de ter um orgasmo.

Pela parte que me toca, na presença de dor física, não há nada que me proporcione mais prazer a não ser o alívio dessa mesma dor. E parece-me que esta opinião é partilhada pelos milhões de mulheres que recorrem à analgesia para aliviar as dores pela simples perspectiva de parir sem dor e não por considerarem que o efeito de medo das dores e sofrimento no momento do parto surgiu porque a nossa cultura associa o nascimento a um momento puro e a sexualidade a algo impuro. Não, a dor (e com ela o sofrimento) é real, seja na presença de pessoas estranhas (médicos, parteiros, enfermeiros), seja apenas na presença do pai do nosso filho, o homem com quem, afinal, o concebemos debaixo de intenso prazer sexual.

 

Por vezes este tipo de perspectivas assustam-me, pelas consequências que podem ter se o quadro não for favorável. Isto de parir assim e assado, à luz das velas, com massagens aqui e acolá (e perdoem-me as seguidoras desta "filosofia do parto") é muito giro quando tudo corre bem. Mas e quando as coisas não são tão lineares? Quando o nosso bébé (ou mesmo nós) precisamos de ajuda? Quando corremos verdadeiro risco de vida? (como me dizia uma enfermeira, por alguma razão a taxa de mortalidade materno-infantil desceu drasticamente nos últimos 50 anos).

 

Eu dou graças a Deus por ter o apoio e conhecimento da equipa que tenho e mesmo trocando o conforto da minha cama, a intimidade do meu lar e o descanso do ambiente a que estou habituada pelo quarto do hospital, a presença de algumas pessoas que nunca vi (mas em quem confio) e sobretudo do homem que me acompanhou nestes 9 meses e que sei que dentro das suas limitações e conhecimento, tudo fará para o meu bem-estar e do meu filho (o médico, a quem agradeço tudo) sei que o meu momento de prazer vai chegar. Não será certamente antes nem a parir mas quando O vir, O sentir, O tiver nas minhas mãos, quando partilhar AQUELE olhar com o meu marido e em que tudo se resume a "amor em estado sólido".

 

Esta é a minha visão do parto. Sei que, se tudo correr bem (e não falo de perfeição), vai ser o dia mais feliz da minha vida. Não pelo prazer que se possa sentir mas por conhecer aquele que é o maior amor na vida de uma mulher.

 

Quem não estiver de acordo... só posso dizer que respeito e que é por isso que o mundo não tomba ;)

sinto-me: opinante
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gotinhas:
De vanessa kirnicki a 18 de Fevereiro de 2009 às 00:30
Lol
Sabes amiga eu ja meti um post sobre este assunto!! A mim parece me bastante estranho ter prazer e dar a luz ao mesmo tempo. Eu deixei ate de ter relacoes sexuais aos 5 meses de gravidez porque sentia-me mal por causa do bebe... Imagino agora ele estar a sair dentro de mim e eu a gemer de prazer lol... Acho que ia ficar chocada comigo mesma lol!!
Nao isso nao me parece nada bem!!
E em relacao a ter a crianca em casa, isso e outra coisa que nao concordo pois muitas coisas podem correr mal!!
AMiga vai por mim nada melhor que um Hospital e uma bela epidural que vai ser a tua melhor amiga!! Eu hoje so posso agradecer ao medico que me acompanhou pois ele deu me a epidural antes de qualquer dor e antes de ter dilatacao e foi o que me valeu aquelas 14 horas em trabalho de parto!! Imagina agora ter a crianca em casa e ficar com ela entalada nos meus ossos como aconteceu!! Enfim... Ja ta quase amiga, muita forca ate ja o Jason torce por ti!! Depois quero conhecer esse fofinho quando for a Portugal :D
De Su a 18 de Fevereiro de 2009 às 00:41
Não é que não me pareça nada bem... parece-me é inverosímil porque associar dor física intensa a prazer sexual, parece-me um desvio comportamental e eu de masoquista não tenho nada...
De Claudia Borralho a 18 de Fevereiro de 2009 às 10:14
Eu tive a oportunidade de ler sobre o Orgasmic Birth já depois de ter passado pelo meu parto.
Da minha experiência posso dizer-te o seguinte: as dores de cólicas renais são totalmente inexplicáveis, só queres que aquilo termine e deixou-me literalmente a torcer-me e a gemer de dores incontrolavelmente.
Um toque mais lá acima deixou-me a subir pela marquesa.
Tu sabes que te estão a fazer qualquer coisa e a minha reacção é pura e simplesmente fugir.
Passei mais de 12 horas em trabalho de parto com contracções "boas" que começaram logo de três em três minutos. Não me custou, tu sabes que ela vem e acabas por abraçá-la e deixar-te levar. E sim, quando finalmente assenti levar a epidural (e digo assenti porque já me a tinham oferecido várias vezes e eu não sentia necessidade de a levar) foi realmente diferente. Diz o Tiago que a minha disposição mudou radicalmente, era a primeira vez em quase 9 meses que não tinha dores. Mas eu não me lembro dessa mudança radical. Juro que não me lembro de em algum momento ter achado que estava cheia de dores.
***
De Su a 18 de Fevereiro de 2009 às 10:26
Pois... deve ser a vulgar amnésia que as mães sentem ao ter os filhos consigo. Mas lá está... apesar de não te lembrares de quando as dores terminaram, lembras-te bem de quando as tiveste... e tudo para terminar no que já calculavas (lembro-me do teu post): cesariana ou não nascia.
Bj*
De Ana a 18 de Fevereiro de 2009 às 12:21
"Inverosímil" acho que é mesmo o termo certo!

Pouco depois de engravidar o marido é que me falou nesta moda dos partos em casa quando vimos uma ambulância parada perto de nossa casa. Para mim era coisa de antigamente e confesso que nem me passava pela cabeça que tivessem voltado a existir.
"Pois eu quero um parto com todos os tubos a que tenho direito! (ainda que espere que fiquem lá só a enfeitar)", foi a resposta que dei e mantenho até hoje.
Algumas vantagens há-de ter o século XXI, não?! ;)

Mas que era bonito uma pessoa conseguir ter prazer com o nascimento de um filho era (o lado sexual ponho na borda do prato à partida) - por isso me lembrei do texto perante os teus medos.
E tenho alguma pena de ter de concordar que seja "inverosímil"...pelo menos sem anestesia!! :)

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