Quinta-feira, 6 de Agosto de 2009

Em maré de azar

Há alturas em que tudo nos acontece. Se eu fosse mulher de superstições, começava a acreditar que me rogaram uma praga qualquer. Senão vejamos:

Mesmo no final de Abril partimos para quatro dias na Canela, aproveitando folgas acumuladas do F. Partimos, sim, mas não chegámos. Mesmo aqui ainda em Oeiras, na área de serviço, o motor do Leon pifou. Um carro que nem 3 anos tinha, sem acidentes, sem nada que o justificasse. E sim... fora da garantia. Mais de seis mil euros para o arranjo que ainda está a decorrer... o carro está em Huelva à espera do motor e nós a desesperar, a desenrascarmo-nos com o meu Saxo e a mota do F.

Domingo passado, vinha o F do trabalho às 11 e tal da noite, um cretino que não parou num stop abalroou-o e deu de fuga. Por sorte temos testemunhas e a criatura já foi identificada pela polícia. A mota encostada à box e o F cheio de dores e escoriações. Até a aliança dele terá de ser polida porque ficou toda raspada...

Ontem, terça-feira, íamos levar a criança à "escolinha d'avó" para irmos tratar das coisas do acidente, salta uma pedrita na A5 que me parte o pára-brisas do Saxo. Inversão de marcha e vamos mas é buscar o carro do outro avô que consome como o catano.

 

Mas o pior de tudo: a meio da tarde o F telefona-me e diz "liga para a minha mãe que parece que o miúdo está com febre".

Vieram trazê-lo e quando o tirei do ovo, senti-lhe logo a temperatura alta e um cheirinho da fralda: diarreia. Liguei ao Nuneca e nem me lembrei que ele estava de férias fora do país. Já disse que amo aquele homem? Então, alternar o ben-u-ron com brufen de 4 em 4 horas e esperar 3 dias. Se passar, que é o mais certo, óptimo. Se não, hospital com ele.

 

Todos sabemos que as noites são o pior e aqui não foi excepção: em 15 minutos 3 fraldas, sendo que a última trazia sangue. Hospital com ele antes do prazo dos 3 dias porque isto já era outro sintoma.

 

Pronto, depois de acordarmos uma médica mal-encarada mas querida com o Edu, voltámos com uma receita de:

-leite sem lactose;

-pózinhos de perlimpimpim para misturar na água para repor os sais;

-ben-u-ron em xarope que supositórios com diarreia não dá;

-Papa Nutribén de arroz;

 

Além disso, dar sopinha com muita cenoura para prender, que já fiz e que fez com que ele se lambesse todo (pois... está docinha). Também bebe bem a Frize limão, como chamamos aos pózinhos mas detesta a argamassa de arroz e o leite fingido.

 

É uma dor de alma vê-lo assim. Sentimo-nos impotentes e tristes. Ele está com a barriguita mole e até perdeu as bochechinhas. Está bem... eu sei que as coisas estão controladas e que ele vai recuperar, mas é meu filho e dói-me vê-lo assim. Ele foi sempre tão sudável que tudo isto é novidade para nós. Entre doenças e despesas, estou mesmo deprimida...

sinto-me:
Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Oh pá...

...que saudades de estarmos os três assim... na descontra...

 

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Sonolência

Vou começar a comprar cápsulas de Ristretto. Se não resultar... começo a dar nos speeds. Se não resultar, tem mesmo de me sair o Euromilhões (assim ja posso dormir o dia todo)

 

Sim... estou de volta dos trabalhos da escola que ainda me faltam dois...

sinto-me:
Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Descarga emocional

Ao fim de horas e horas de volta de um trabalho que não consegui terminar a tempo, ao fim de uma semana com a minha mãe doente, ao fim de uma semana de cólicas do Eduardo (graças ao leite de magnesia), hoje tudo me serviu de pretexto para chorar.

 

Estou muito "nhé".

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Continuação dos maus fígados

Continuo triste.

Tive um teste de Saúde Infantil que, não tendo corrido miseravelmente, poderia ter sido muito melhor... aguardemos os resultados.

O teste era incrivelmente grande e às tantas já não podia olhar mais para aquilo, pelo que uma alínea de uma pergunta e outra completa foram sem resposta...

 

Para terminar o dia beleza, chego a casa e vejo a minha mãe com o ar mais triste do mundo: o meu pai teve de a ir buscar ao Centro de Formação e levá-la ao hospital. Há uns tempos que se vem queixando de um joelho e hoje ficou mesmo incapaz de andar. Então, segundo a radiografia, não tem cartilagens. Levou uma injecção lá e trouxe mais 6 doses para tomar aqui. Paracetamol (eu não sou médica mas quando vi a caixa não pude deixar de me rir... aquilo nem as dores de cabeça tira quanto mais as dores de um joelho como ela tem tido...), um carta para o médico de família e está a andar... benvindos ao Serviço Nacional de Saúde.

 

Vale-me o nosso Pedi, que adoramos: hoje respondeu-me prontamente a um e-mail que me tranquilizou relativamente à posição de dormir do meu filho, estranha como nunca vi:

 

 

Domingo, 31 de Maio de 2009

os dias tristes

Há dias que começam de um modo normal e terminam com a tristeza a invadir-me. E nessas alturas só me apetece chorar...

 

Mas porquê?

sinto-me:
Sexta-feira, 27 de Março de 2009

Do primeiro mês - uma retrospectiva

Passou-se um mês. Nem dá para acreditar.

Simultaneamente parece que foi ontem e que foi há uma eternidade. Temos vivido tanto... talvez por dormirmos tão pouco.

 

O meu corpo está quase normal, excepto pela hemorragia que continua (e estou tão farta...), por um ponto que tem um altinho e ainda me doi e pelo tamanho (agora ainda mais) monumental das minhas mamas.

Preciso de emagrecer um pouco para me sentir melhor, mas na verdade creio que peso praticamente o mesmo que pesava quando engravidei. Já era peso a mais e daí a minha necessidade de perder uns bons quilinhos.

Tive de comprar roupa, pois as "partes de cima" deixaram de servir quase na totalidade (graças aos biberões portáteis do meu filho) e as de baixo... bom, quando engravidei tinha apenas uns 3 pares de calças que me serviam. Como andávamos em treinos, achei estupidez comprar calças (sempre fui forreta com esse tipo de coisas) pois não sabia como ficaria o meu corpo depois de parir.

 

Querida Ana, se achavas que o guarda-roupa da grávida é minimal... que me dizes do guarda-roupa da puérpera? Mil vezes pior... as roupas de grávida estão grandes, as de não-grávida ainda não servem...

 

A minha alma não está tão em forma como o corpo: o bebé esgota-me completamente. Por vezes tenho pensamentos negativos, normais (dizem elas*), em que me vem tudo à cabeça, desde pensar que estávamos muito melhor sem ele, à ideia de desaparecer neste mundo sem deixar rasto para que ninguém me possa encontrar.

Para melhorar ainda mais o quadro, começo a perceber que o F está na mesma ou pior ainda que eu, o que me preocupa, pois com as minhas paranóias sei bem lidar, já com as dele...

 

Este pai foi sempre um homem de força e de pensamentos positivos. Aliás... como escrevi algures, após o parto foi ele o meu herói. Mas agora começa a desabar, talvez porque com o regresso ao trabalho o cansaço se acumule. Talvez porque o bebé está a entrar numa fase aborrecida em que se torna no tirano dos nossos dias.

 

O bebé... bom, deve estar nas nuvens, a julgar pelo tamanho. Está a crescer bem, em comprimento e peso, mas não é uma criança fácil: chora porque tem sono, chora porque não quer dormir, chora porque lhe dói a barriga, tem SEMPRE fome, detesta estar sozinho, só quer colo, colo, colo... e chupeta não é com ele. É um verdadeiro chato.

Em contrapartida é lindo. Tem uns olhos maravilhosos que me fazem derreter e sentir mal por todos os pensamentos menos bons. Tem umas mãozinhas perfeitas, uns pés bem desenhados, um umbigo bem cicatrizado... Só o cabelo é um pouco estranho, mas como está a cair, vamos confiar que a nova cabeleira seja mais agradável.

 

Assim que me lembre:

-já não chora a tomar banho;

-adora estar de rabo ao léu;

-faz umas boquinhas maravilhosas quando está para fazer cócó;

-aceita bem a comida, seja mama, seja biberão;

-dorme pouquíssimo;

-é muito ranhoso (abençoado aspirador nasal);

-já mudou a pele quase toda;

-já se ri para nós, embora timidamente;

-tem ar de ser um bébé muito alegre e feliz;

-é muito, muito manhoso (muito mesmo!);

 

Eu sei... Qualquer dia vou ter saudades disto tudo... (suspiro)

 

*"elas" são as leitoras do blogue que já passaram pela experência de se ser mãe.

sinto-me: cansada
Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

3 dias

Eu sei, ainda são só 3 dias. Mas não é fácil gerir os sentimentos.

Entre telefonemas, visitas, palpites e muitas dúvidas que surgem a cada novidade, sinto o chão fugir-me debaixo dos pés e uma grande falta de tempo para tudo o que precisava de fazer.

Sou aquilo a que chamam "bicho do mato". Sempre fui e não seria agora que iria mudar. E para que a agressividade que me caracteriza não venha ao de cimo numa altura de revolução hormonal, optei por tirar o som do telemóvel e ignorá-lo mesmo que por acaso escute a vibração. Não levem a mal esta atitude, mas não consigo gerir a situação de outro modo e hoje, perto da noite, apercebi-me que estava negligenciar precisamente o que não pode ser passado para segundo plano: o meu filho.

 

Precisamos de nos conhecer, preciso de o perscrutar para poder atender correctamente às suas necessidades de pequeno ser.

 

Percebo que a intenção das pessoas seja a melhor: porque gostam de nós querem felicitar-nos, têm curiosidade por conhecer o novo membro do clã e, convenhamos, um recém-nascido desperta o que há de melhor em nós (pelo menos no que respeita a mentes saudáveis). Mas na verdade, e perante todas as mudanças que vivemos em menos de nada, torna-se bastante inconveniente não conseguirmos viver este momento com alguma intimidade. No hospital chegámos a contar 18 pessoas para nos visitar, em simultâneo. O que vale é que se dividiram entre o quarto, a sala de espera, o átrio exterior e a UCIN. Nesta última, a questão foi mais delicada. Por acaso o Eduardo era o único bébé no serviço, mas há que compreender que se estes pequenos seres estão privados das suas mães e entregues aos cuidados especiais de uma equipa, por algum motivo é. E não me pareceu nada bem a romaria de pessoas a entrar e sair da neonatologia, até porque para poderem vê-lo, tinham de levantar a coberta da incubadora o que causava um grande desconforto à criança por estar sempre a mudar de um ambiente luminoso para um ambiente na penumbra. Por mim teria proibido as visitas (ainda combinámos previamente com o enfermeiro que não seria permitido mexer no bébé), mas essa é uma atitude inaceitável para os nossos pais, ansiosos por mostrar o primeiro neto aos seus (obviamente não se importariam de que os nossos amigos chegados não vissem o neto em deterimento daquela tia que apenas vimos no nosso casamento e algures num funeral).

 

Aqui em casa ainda não se instalou o corropio, mas aguardo "ansiosamente" o fim-de-semana.

 

Deixo algumas fotos e prometo que vou mudar de disposição...

 

A primeira foto... tadinho...

 

Após o primeiro banho dado pela mamã ainda na maternidade

 

Já em casa :)

 

sinto-me: deprimida
Domingo, 15 de Fevereiro de 2009

Tenho saudades...

...de comer morangos.

...de ir passar uns dias fora.

...de ir passar uns dias fora à Isla Canela.

...de andar de bicicleta.

...de almoçar no refeitório da escola.

...de vestir as minhas t-shirts (sobretudo as que não deram para usar até ao final do Verão)

...de beber um copo de espumante.

...de andar horas pela baixa, sem me cansar.

...de poder comprar roupa que goste, para mim.

...de lavar os dentes com pasta dentrífica normal sem ficar enjoada.

...de dormir de barriga para baixo.

sinto-me: Nostálgica
Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

As preocupações (em retrospectiva)

Não sei se isto acontece com todas as mulheres (ou pelo menos quando se trata do primeiro filho), mas notei que ao longo destes nove meses as minhas preocupações relativas à gravidez foram mudando consoante a fase da gestação, oscilando entre as insignificâncias do que é material e a ansiedade do que não podemos controlar.

 

1ª fase:

O teste dá positivo. Estará estragado? É mesmo verdade? Vou mesmo ser mãe? Deixa ver outra vez... vou orientar o candeeiro para aqui para ver melhor.

Nesse dia, andei com o teste na mala o dia todo. De vez em quando tirava-o, às escondidas, para ver de novo que mesmo quase invisível, a risca estava lá.

 

Os primeiros medos foram de que estivéssemos enganados e todos os dias o F perguntava se o período tinha dado sinais. Ele teve mais dificuldade em acreditar que eu. Ao fim de dois dias convenci-me e mesmo com ele pouco convicto ainda, contámos aos nossos pais.

 

2ª fase:

Não contámos a mais ninguém. Quer dizer... havia o blogue, mas por esta altura os familiares ainda não o conheciam. Acho que contei na escola a algumas colegas.

Porque o segundo medo foi que não se aguentasse (sobretudo depois do que aconteceu à Ana estar ainda tão fresco na minha memória) tudo era feito com cautela: não fazer esforços muito grandes, ter cuidado com o sítio onde se põe os pés (tenho horror a tralhos mas no verão de 2007 dei mais que muitos), observar minuciosamente o papel higiénico a ver se algo rosado ou vermelho aparecia...

Exactamente um mês após o teste positivo, apareceu o maldito cor-de-rosinha no papel. Nas urgências soubémos que estava tudo bem, mas não deixou de ser um alerta e ainda só estávamos nas (salvo erro) 8 semanas.

A primeira consulta com o que seria o nosso médico (2ª consulta na gravidez) tranquilizou-nos mais, com uma eco e exames pormenorizados, orientações para o futuro e uma segurança maior no que respeitava à viabilidade do nosso filho.

 

3ª fase:

De tudo o que mais me abalou nestes 9 meses, vou eleger os minutos que decorreram durante a ecografia das 12 semanas para o rastreio combinado. Temia aquelas medidas mais do que qualquer outra coisa. Não me importei com as análises de sangue, nada, era ali que o meu medo residia.

Não conhecia bem o médico, era apenas a segunda vez que o via. A expressão retraída sempre que se concentra num assunto fez com que me passasse tudo e mais alguma coisa pela cabeça.

De comum acordo tínhamos decidido (eu e o F) que não queríamos levar por diante uma gravidez que nos trouxesse um filho deficiente. Temos os nossos motivos e aqui não admito julgamentos, mas na verdade, depois de ver aquela eco, aquelas imagens, aquele "ser" que para todos os efeitos já era o NOSSO FILHO, juro que preferia morrer a ter de decidir se queria interromper a gravidez ou não.

Aquela expressão concentrada do médico enquanto eu via claramente que ele estava a observar e medir a TN ainda hoje me assombra o espírito, só tranquilizado com o sorriso dele quando perguntei se estava tudo bem.

Nada nos garante que está mesmo tudo bem, como ele nos disse, mas tanto quanto é possível prever através deste tipo de rastreios (que têm limitações), não há nada que indicie que o bébé tem problemas.

E nunca me esquecerei do que ele disse após eu me rir perante a contagem do número de dedinhos: "pois é, temos de nos concentrar em alguma coisa para não nos preocuparmos com as outras". Foi algo do género, que é bem verdade. Quando eles nascem perguntamos logo se tem todos os dedos das mãos e dos pés, mas... e o que interessa realmente?

Na verdade não interessa nada porque depois eles estão ali e faremos o que for preciso para que vivam, cresçam, sejam felizes: eles estão ali e nós amamo-los incondicionalmente na normalidade ou fora dela.

 

4ª fase:

Aqui começámos a ajeitar o ninho. Fiz listas onde acrescentei coisas, onde risquei outras, onde chateei tudo e todos com perguntas... e comecei a gastar dinheiro. Sempre com medo que algo faltasse à criancinha.

Inicialmente investigava na Internet para escolher o melhor produto, que oferecesse maior segurança, da melhor marca, ao melhor preço. Esta foi a preocupação do Verão e aí até ao meio da gravidez: compras, enxoval, necessidades materiais. E tudo para mais tarde perceber que sim, é verdade que faz falta muita coisa mas não necessitamos de todos os produtos com que as marcas nos assediam. E também não é preciso comprar tudo de grandes marcas. Neste campo é preciso racionalizar a questão e ter sempre presente que na verdade, os nossos filhos só nos pedem AMOR.

 

5ª fase:

A meio da gravidez, em pleno estágio, apanhei um susto. Não sabia o que era mas andei muitos dias a sentir-me muito mal, com muitas dores e cada ida para o Jardim-de-Infância estava a tornar-se um suplício, até porque as dores íam-se agravando de dia para dia.

Concentravam-se na parte baixa da barriga e de vez em quando sentia picadas horríveis como se me estivessem a enfiar uma faca de baixo para cima, o que me fazia a seguir sentir uma pressão enorme de cima para baixo.

Um dia cheguei ao J.I. contorcida, conduzida pelo F, pois já me tinha decidido a voltar para casa nesse dia. Fui apenas entregar uns materiais que preparei para as crianças trabalharem, mas nem era capaz de conduzir. Quando contei o que se estava a passar, a directora do J.I. assustou-me imenso e entrei num tal estado nervoso que comecei a chorar compulsivamente (não é de surpreender porque ela nunca jogou com o baralho completo...). Valeu-me a minha Educadora Cooperante que me acalmou os ânimos e me aconselhou a ir às urgências, com urgência mesmo. Fiquei ali um pouco com ela, o suficiente para ela sentir a minha barriga como um tijolo e dizer-me "são contracções, acontece, não te assustes".

Liguei ao médico e lá fomos. O Dr. Fofinho que estava nas urgências foi impecável, minorizou o assunto o que me tranquilizou, mas aqui apercebi-me da fragilidade do nosso corpo e da realidade dos bébés prematuros.

Tomei decisões que de certo modo me prejudicam bastante na escola, mas foi mais um modo de garantir o bem-estar do Eduardo e um resto de gravidez mais tranquila.

 

6ª fase:

Tudo o que era novidade me assustava: dói-me aqui, senti isto assim, assado... precisava sempre de uma resposta lógica para tudo. Sempre que o rapaz começava com soluços ficava triste porque achava que ele estava a sofrer. Sempre que me doía o diafragma, achava que ele podia estar a sofrer. Sempre que me pesava, achava que ele podia não estar a crescer.

 

7ª fase:

Comecei a pensar no parto. Aqui imaginava tudo e mais alguma coisa, mas queria mesmo era que não doesse. Bom... ainda quero. Sou muito medricas, muito sensível à dor e aterroriza-me relembrar as imagens que vi no youtube (bem sei... deveria ter-me ficado pelas imagens do 1º banho dos bébés, mas a curiosidade foi maior).

Por um lado (o meu lado racional de que tanto me gabo), queria muito um parto vaginal. Bom para o bébé, bom para mim, bom para a nossa carteira. Tenho a clara noção de que se foi assim que a natureza nos "programou" é porque é o melhor modo de parir.

Por outro lado (o meu lado maricas) deseja uma cesariana. Algo como: dão uma pica, fazem um corte, tiram o bébé, fecham o buraco e já está! (o que vale é que sei que as coisas não são assim, o que sempre me demoveu de eleger a cesariana a menos que seja totalmente necessário).

 

8ª fase:

A vida intra-uterina do Eduardo está prestes a acabar-se. E mais uma vez as minhas preocupações mudaram de rumo. Como será tê-lo aqui fora? Como será lidar com tudo o que aí vem e para a qual não temos nenhuma preparação? Como será lidar com a maternidade se nestas coisas não existem livros de receitas?

Depois interrogo-me se vou ter a paciência necessária, se daqui por uns tempos ainda vou querer ser mãe de três, se vou conseguir ultrapassar os primeiros tempos sem contrair uma depressão pós-parto (e para prevenir isso vou à psiquiatra assim que ele nascer).

Os pensamentos evoluem numa barra cronológica que me coloca primeiro perante um bébé, depois perante uma criança, um pré-adolescente, um adolescente, um jovem adulto... com tudo o que isso implica: amar, cuidar, proteger, libertar.

 

9ª fase:

Voltamos ao parto, mais concretamente a estas questões de intervir ou não... Deixar andar com todos os riscos que isso pode representar ou provocar, também com todos os riscos das induções.

Não gostava que o meu filho sentisse que o quero expulsar daqui de dentro, porque na verdade não quero, mas trata-se de o ter cá fora, algo palpável, visível, um ser que respira autonomamentesem precisar de mim para isso, que demonstra desejos, que emite sons, que expressa emoções e sentimentos, que é capaz de suscitar em mim um instinto que carrega uma força indescritível e incomparável com qualquer outra condição da natureza que não a de SER MÃE.

 

Nove meses, nove fases.

Obrigada por me acompanharem aqui, na minha vida, no meu coração.

 

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